O Dia do Rio Tietê é comemorado hoje. A data, apesar de representar celebração, carrega o sentimento de alerta. Muito embora o esgoto de Mogi das Cruzes seja tratado em 60%, ainda não é o suficiente para manter o rio limpo. A afirmação é do engenheiro civil e sanitarista, mestre e doutor em Hidráulica e Saneamento, José Roberto Kachel. "O tratamento é feito em nível secundário, ou seja, não limpa as cargas orgânicas e sólidas. Para o problema ser resolvido, o tratamento deve ser feito em nível terciário, ou seja, mais avançado", exemplificou.
O engenheiro ainda apontou uma outra causa da poluição no Tietê. "Apesar da cidade possuir a estação de tratamento da Sabesp, temos de entender que todos os córregos estão desaguando no rio com esgoto", disse o sanitarista. Já a presidente da instituição socioambiental Bio Bras, de Mogi das Cruzes, Nadja Soares de Moraes, alerta para o que deve ser feito a respeito do tratamento. "O esgoto precisa receber 100% de tratamento e, agora, o que deve ser feito é a recuperação de todos os córregos e não deixar o esgoto cair in natura, sem o tratamento nos canais", acrescentou.
O custo para tornar viável o tratamento completo do esgoto em Mogi das Cruzes, segundo o secretário do Verde e Meio Ambiente, Daniel Teixeira de Lima, é de aproximadamente R$ 1 bilhão. "Para a universalização do tratamento do esgoto deve ser investido mais de um bilhão, pois os serviços irão incluir a topografia da cidade e construções antigas, entre outros serviços de grande porte", calculou.
Em razão dos problemas no rio Tietê, grupos de especialistas do meio ambiente propõem e executam diversas ações para o combate da poluição dos rios. É o caso da Fundação SOS Mata Atlântica, que atua no projeto Observando Rios há mais de duas décadas.
O educador ambiental Cesar Pegoraro contou que o objetivo do trabalho é conscientizar os cidadãos para que sejam fiscalizadores da qualidade do rio. "Todo rio conta uma história. Do trajeto de onde ele está vindo, passamos a acompanhar a vida da nossa comunidade e sociedade. Para saber se as políticas públicas, educação, saúde, cultura estão funcionando, basta observar o rio", definiu.
A engenheira ambiental Juliana Augusto Cardoso também fez uma avaliação do rio. "Com os projetos de acompanhamento da SOS Mata Atlântica, [o rio] melhorou muito, sim. Porém, a nossa região, que é de onde nasce o Tietê, é também um dos mais poluídos", avaliou. A engenheira ainda cobrou responsabilidade dos governantes. "Se os nossos gestores gerais não tomarem consciência da importância da preservação do rio e não começarem a conscientização desde já, nós vamos estar matando o nosso maior patrimônio", completou.
As entidades engajadas na recuperação do rio Tietê, SOS Mata Atlântica e Bio Bras de Mogi, estarão presentes hoje, às 10 horas, no Parque Ecológico do Rio Tietê, em um encontro aberto ao público com diversas ações sobre o rio e a apresentação dos dados mais recentes levantados pelo projeto Observando Rios.
* Texto supervisionado pelo editor.