O verão ainda não chegou, mas as mortes por afogamento, como acontecem todos os anos, já começaram na Lagoa Azul, em Suzano. Na tarde de anteontem, um rapaz morreu após entrar na água para se refrescar ao lado de um amigo. O local, que nunca foi totalmente isolado, agora está completamente aberto para quem quiser entrar. De acordo com moradores do entorno, os banhos em dias de calor são constantes, ao contrário da fiscalização, que não é feita para evitar que o espaço seja invadido.
A equipe de reportagem do Dat esteve no local ontem e encontrou pessoas circulando em volta da Lagoa e outras descartando irregularmente entulho no entorno. Todos acessaram o terreno pela avenida Senador Roberto Simonsen, no trecho onde foi iniciada a obra para prolongamento da rua Sete de Setembro até a avenida Paulista. Para esse trabalho, o portão que colaborava com o isolamento do terreno foi arrancado há mais de dois meses. O problema é que as obras não avançaram, estão paralisadas, e o local segue completamente abandonado.
"Não tem fiscalização nenhuma, entra quem quer dentro da área da lagoa. Nos finais de semana, por exemplo, vários carros estacionam aqui com crianças, mulheres e até idosos para nadar. As pessoas correm risco e acabam se afogando", explicou a vendedora Josiane Leocádio, de 22 anos, que trabalha em frente ao local.
Para a aposentada Maria de Lourdes Custódio, o movimento de pessoas na lagoa aumentou desde que a obra da Prefeitura foi abandonada. "Ficou fácil de entrar e também de jogar entulho, porque não se vê ninguém para fiscalizar", completou a aposentada.
Caso
O estudante Matheus dos Santos Vargas, de 18 anos, morreu afogado na Lagoa Azul, na tarde da última terça-feira após decidir nadar na companhia de um amigo. Quatro viaturas, 16 bombeiros e seis mergulhadores foram mobilizados até o local para resgatar o rapaz, que foi encontrado já sem vida.
Prefeitura
Segundo o secretário municipal de Segurança Cidadã, Fátimo Aparecido Rodrigues, a Guarda Civil Municipal (GCM) passará a realizar continuamente rondas com motocicletas no local e nos bairros do entorno, com o intuito de retirar qualquer indivíduo que possa estar no local.
A administração municipal também definiu que seja refeita a cerca de proteção no local, bem como a instalação de placas informando que o local está fora do alcance da população.