O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quarta-feira, dia 2 de abril. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada 160 crianças no mundo tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pediatra Cristiane Demetrio, atuante na área de transtornos do neurodesenvolvimento, destaca o aumento no número de casos, que pode ser explicado por um diagnóstico mais fácil e informações mais difundida. 

Para a especialista, a data estabelecida pela Organização das Nações Unidos (ONU), em 2007, tem como função aumentar a conscientização das pessoas em relação ao TEA. "Há muito preconceito ainda e pouco respeito. A data é exatamente para isso, para combater o preconceito, promover a inclusão, falar sobre o tema, explicar e ensinar as pessoas que ainda não conhecem, além de destacar a importância do diagnóstico. É uma data muito importante”, destacou. 

As pesquisas, de acordo com Cristiane, apontam que a causa do autismo é complexa e multifatorial. "Ainda tem estudos que estão tentando descobrir mais sobre o que poderia estar causando o aumento de casos. E aí envolve fatores genéticos, hereditários e os fatores ambientais que estão cada vez mais aí no nosso meio. Porém, o acesso à informação e conhecimento dos sintomas aumentou o número de diagnósticos”, explicou. 

Diagnóstico 

Para um diagnóstico precoce, a especialista salienta a importância de estar atento ao sinais iniciais, que segundo ela são: dificuldade do bebê manter o contato visual durante a amamentação; quando a criança não responde ao ser chamada; atraso na fala; dificuldades na interação social e expressar emoções e expressões faciais, como sorrisos, choros ou raiva; movimentos repetitivos, chamado de estereotipias; hiperfoco em brinquedos ou desenhos; alteração sensorial, com dificuldade de provar novos alimentos; e incômodo ao ouvir sons altos ou em ambientes muito cheios. 

“Inclusive o que mais orientamos, principalmente nas redes sociais e palestras, é para que as pessoas reconheçam os sinais logo que a criança é pequena. Falamos que com 1, 2 anos de idade precisamos prestar atenção para os sinais para conseguir realizar um diagnóstico precoce”, explicou. “Cada um na sua intensidade e do seu jeito, cada criança é única. Então, é importante estarmos avaliando isso desde pequeno os sinais de alerta”, completou.

A pediatra ainda destaca algumas dificuldades para realizar o diagnóstico, como sintomas muito leves, a falta de profissionais capacitados e comorbidades associadas ao autismo. “O autismo não é somente autismo em cerca de 70% a 80% das crianças. Na grande maioria dos casos, haverá uma comorbidade associada, como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), transtorno de linguagem, deficiência intelectual ou epilepsia. Essa comorbidade pode levar diagnóstico errado ou tardio”, pontuou. 

Além disso, Cristiane salienta a importância da aceitação para o desenvolvimento das crianças: “Tem muitas famílias com muita resistência em aceitar aquele diagnóstico. Muitas vezes eles postergam a busca, demoram para trazer a criança. Ainda há esse estigma. Alguns têm preconceito, mas isso causa mais desafios e ainda influencia no atraso, porque quanto mais precoce for o diagnóstico, mais rápida será a intervenção, proporcionando mais chances da criança se desenvolver com todo seu potencial”.

Tratamento 

Após o diagnóstico, segundo a pediatra, os tratamentos são realizados de forma multidisciplinar e individualizada, contanto com terapia ocupacional, terapia cognitivo-ocupacional, psicomotricidade, musicoterapia e o que for indicado para cada caso específico. “O tratamento principal são as terapias de uma equipe multiprofissional. A medicação vai ser utilizada para algumas crianças de acordo com a necessidade. Claro, também vamos contar com a adaptação e a inclusão escolar, que precisam andar juntas”, finalizou.