O ex-policial militar Fernando Cardoso Prado de Oliveira foi inocentado durante o primeiro júri popular de um homicídio que ocorreu em Mogi das Cruzes entre novembro de 2013. O julgamento ocorreu durante toda a terça-feira e se estendeu até o início da madrugada de ontem, no Fórum de Braz Cubas. Na ocasião, Cardoso estava sendo acusado pelo Ministério Público como autor da morte de Matheus Aparecido da Silva, de 16 anos, e por homicídio tentado de outros dois jovens na madrugada do dia 15 de novembro. 
No dia 19 de fevereiro de 2019, Cardoso deve retornar para mais um julgamento, dessa vez, pelas mortes de Rafael Augusto Vieira Muniz e Bruno Gorrera e, de uma tentativa de homicídio. Os crimes ocorreram em 24 de setembro de 2014, no Jardim Camila. 
O grupo "Mães Mogianas" acompanhou todo o julgamento e afirmou que continuará lutando. Inês Paz, 66, professora de algumas das vítimas, contou que o resultado foi desolador. "Não esperávamos isso, o júri acabou absolvendo o Cardoso. Vamos buscar apoio jurídico para estar preparadas", contou.
Para a mãe de Diego Rodrigo Marttos, 33, assassinado em Jundiapeba no primeiro dia de 2015, Maria Aparecida Alves Marttos, 61, o momento é frustrante. "Ele (Cardoso) não podia ficar sem a família dele. E nós? Cadê nossos filhos? Ontem eu não estava em um julgamento, estava num circo de horrores, porque se ouviu tantas coisas", disse. O filho dela foi morto por Vanderlei Messias de Barros segundo as investigações, outro policial acusado de participar das chacinas em Mogi.
A mãe de Rafael Simão Sarchi, morto no dia 26 de abril de 2014, aos 21 anos, também opinou. "Foi uma falta de respeito. Não parei de chorar. Quando saiu a sentença saí de lá". No entanto, quem mais sentiu o golpe foi Claudete Rodrigues, a mãe de Matheus. "É um sentimento de tristeza, não tenho muito o que falar. Mas vamos recorrer".
O grupo também questiona alguns pontos levantados durante o julgamento. De acordo com Inês, a defesa apontou irregulares no processo e que havia falhas. "Nenhum membro da Polícia Civil foi chamado e eles apontaram irregularidades. Parecia tudo um teatro para dar esse resultado", finalizou. A reportagem tentou contato com a defesa de Cardoso e com a Polícia Civil, mas não tivemos retorno. (L.P.)