É consenso nacional: a carga tributária brasileira é pesada e a eficiência do retorno desses recursos para a sociedade deixa a desejar. Vivemos com a sensação constante de que o dinheiro sai do nosso bolso e se perde nos labirintos da burocracia estatal. Mas, e se eu dissesse que existe uma brecha legal em que você — e não o governo — decide exatamente para onde vai o dinheiro?

Isso é possível através da doação de créditos da Nota Fiscal Paulista, um mecanismo poderoso, porém subutilizado por falta de compreensão. O segredo para entender o impacto disso está no que chamo de "Teoria do Bolo".

Imagine que o imposto (ICMS) pago mensalmente por uma loja é um bolo que precisa ser distribuído. O tamanho desse bolo é fixo. Se 100 pessoas doam suas notas fiscais naquela loja, o bolo precisa ser cortado em 100 fatias finas; cada ONG recebe um valor pequeno. Porém, se a maioria ignora esse direito e apenas duas pessoas doam, aquele mesmo bolo inteiro será dividido apenas entre as duas instituições escolhidas.

É essa matemática que permite que um único cupom fiscal, muitas vezes de valor irrisório, gere centenas de reais em doação. E o cenário oposto é o que mais dói: se ninguém aparecer para "comer o bolo" (doar a nota), o recurso volta para o caixa geral do Estado, sem destino específico, perdendo-se a chance de financiar diretamente a saúde, a educação ou a causa animal.

Não basta apenas pagar; é preciso direcionar e fiscalizar. A cidadania fiscal exige que saibamos se o imposto virou, de fato, um prato de comida ou um atendimento médico. Felizmente, a tecnologia já resolve a complexidade desse processo. Com o aplicativo da Soulcial, é  possível não apenas encontrar as lojas onde o "bolo" é maior, mas também acompanhar a transparência do uso do recurso e o impacto social gerado, tudo na palma da mão.

Na próxima vez que fizer uma compra, lembre-se: você já pagou o imposto. A escolha de deixar esse dinheiro se perder no sistema ou direcioná-lo para quem faz a diferença é inteiramente sua. Não deixe sua fatia do bolo ser desperdiçada.


* Rodrigo Morales é empreendedor em tecnologia, atualmente é co-CEO da Soulcial buscando formas inovadoras de engajar pessoas para transformar a sociedade e tornar o mundo mais justo.