O Carnaval é um importante vetor do empreendedorismo criativo, que articula cultura, economia e desenvolvimento territorial. Para além do confete e serpentina, ele contagia uma extensa cadeia produtiva formada por micro e pequenos negócios de diferentes setores da economia criativa. A moda, o artesanato, a música, a produção cultural, o audiovisual, a gastronomia e o turismo são presenças confirmadas nos bloquinhos de rua, nos trios elétricos e nas matinês.
É nas mãos de costureiras, artesãos, músicos, produtores e prestadores de serviços criativos que saberes tradicionais e competências técnicas são transformados, não só em produtos, e sim em experiências culturais com valor econômico. Cada fantasia, apresentação ou bloco organizado promove a geração de renda, a oportunidade de trabalho e a ampliação da visibilidade de negócios autorais, muitos deles de base local e comunitária, reforçando a importância da preservação das tradições.
O ambiente do Carnaval também é terra fértil para a experimentação e a inovação. No período, o improviso é aliado da estratégia. De olho nas tendências e nos hits do momento, os donos de negócios podem surfar nas oportunidades e faturar na data. Para isso, o empreendedor precisa aprender rápido, testar ideias, ajustar preços, criar soluções na hora e se comunicar diretamente com o público. O momento e o contexto potencializam práticas empreendedoras colaborativas, fortalecendo redes e arranjos produtivos locais.
A festa, que é marca identitária do Brasil, consolida-se como uma plataforma estratégica da economia criativa. Quando apoiada por políticas públicas e ações de qualificação empreendedora, ela contribui para a formalização de negócios, a profissionalização do setor cultural e a promoção do desenvolvimento econômico sustentável. Dessa forma, valoriza a identidade cultural e a transforma em ativo produtivo.
Mais do que entretenimento, o Carnaval é uma escola prática de empreendedorismo. Ele ensina a transformar cultura em produto, tradição em inovação e talento em negócio.
Samira Gardziulis é gestora regional de Economia Criativa e Turismo do Sebrae-SP no Alto Tietê