Essa frase é perfeita para ser dita em frente ao espelho pelo presidente. Sua incontinência verbal mantém acessa a chama do conflito, imaginando ser esse o único ambiente que lhe gera visibilidade, como em seu passado parlamentar. Certamente não se deu conta que o cargo que ocupa já lhe assegura visibilidade, podendo cessar a verborragia para atrair atenção, chocando normais e acalentando seus seguidores, em número cada vez menor.
Depois de sugerir, por duas vezes, que dois jornalistas calassem a boca pela manhã, ao final do dia se desculpou, desculpas sinceras. Talvez conte com o mandamento de Jesus, de perdoar não sete, mas setenta vezes sete por dia. E dia após dia ele lança uma pedra, agride, ofende, insulta como se estive no churrasco de seu quintal.
Como não há nada de novo e relevante no governo, o jeito é continuar dando caneladas até que alguém lhe mostre um cartão amarelo ou, quiçá, vermelho. Enquanto isso, governadores e prefeitos se viram como podem e a população, essa tenta sobreviver em meio ao caos. A tão desejada reabertura do comércio e dos serviços não essenciais dependeria de uma testagem em massa, o que não ocorre nem mesmo nas unidades de saúde. Existem milhares de mortes subnotificadas e milhões de infectados assintomáticos. Ao povo restam três armas, o isolamento social, para quem pode, a higienização contínua das mãos e o uso de mascará como nova peça de vestimenta. No mais, aguardar uma vacina e torcer muito para que o presidente, antes de sair da residência oficial, se poste ante o espelho e repita à exaustão "cala a boca" e acatando sua própria sugestão ajude muito não atrapalhando.
Sugerir à imprensa que cale a boca, é ordenar não só que falem, mas que investiguem, perguntem, entrevistem, fotogravem, filmem e divulguem por todos os meios mais intensamente e quando isso ocorre aquilo que se pretendia esconder se revela. Já temos duas crises reais, a sanitária e a econômica, não precisamos de nenhuma outra. Nelas surgem as verdadeiras lideranças e se desmistificam os falsos.