No antigo Egito os faraós se sucediam no poder apagando, nos escritos, as glórias do seu antecessor. Nas grandes estátuas que cultuavam a memória dos grandes conquistadores, seus nomes esculpidos eram trocados pelo nome do faraó que os sucedia. Os escribas do reino não registravam as derrotas sofridas em campos de batalha. Grandes trechos da História foram escritos para exaltação, escondendo os fracassos que sempre serviram de humilhação.
O mundo em frustração foge do controle dos maiores cientistas e políticos que em suas descobertas e tirania nos deixaram um rastro de ódio e destruição. Como chamar isto? Escapismo ou tentativa de sobrevivência?
Michael Green, físico britânico, atrai nossa atenção ao afirmar: "A crescente agitação do mundo moderno, a política de ter duas faces, o quase compulsivo condicionamento e viciação à televisão ( ou internet), a contínua preocupação com o sexo, a maneira de abafar o triste problema da morte, são algumas das maneiras pelas quais nossa geração procura fugir dos problemas".
O ateísmo crescente diz que a maior ilusão dos nossos dias, como foi do passado, é a religião. O cristianismo é rotulado por eles de "escapismo" da realidade, por oferecer um Éden celestial após a morte. Esta acusação é inteiramente falsa. A fé cristã, intrínsecamente, é a antítese do escapismo. O próprio Jesus, em sua oração sacerdotal, pediu ao Pai que os seus filhos na fé não fossem retirados do mundo, para servirem de testemunhas, mas que os livrasse do mal. Há mais de dois séculos temos cultivado o joio do pensamento filosófico de J. J. Rousseau que o homem nasce bom por natureza, quem o corrompe é o meio social em que vive.
Falsa verdade que faz crer que é a sociedade que molda o caráter do homem. O caráter responsável do homem é esculpido dentro dele mesmo; se errar, não deve haver a rota de escape da transferência de culpa, deve ser julgado como réu e não como vítima irresponsável dos seus atos. De tudo, o mais grave é a nossa fuga de Deus.