A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) divulgou recentemente um levantamento sobre o número de apreensões de mercadorias vendidas de forma irregular nas linhas que compõem o sistema. Os dados se referem aos seis primeiros meses deste ano e, quando comparados ao mesmo período de 2018, revelam um avanço no volume de apreensões.
O mesmo ocorreu nas duas linhas que cortam o Alto Tietê. Diante disso, surgem duas questões: houve reforço na estratégia da segurança ou cresceu a quantidade de vendedores ambulantes por causa da falta de emprego que assola o país?
A linha que registrou aumento mais acentuado foi a 12-Safira (Brás - Calmon Viana). Este ano, entre janeiro e julho, a CTPM reteve 7.953 mercadorias que estavam sendo comercializadas de forma irregular nas composições férreas. Nos seis primeiros meses de 2018, foram 4.213 apreensões: um aumento de 89%. Na linha 11-Coral (Luz - Estudantes), o avanço foi de 16%. Este ano, os agentes de segurança apreenderam 4.642 itens que estavam com ambulantes. No mesmo período de 2018, a CTPM contabilizou 4 mil ações contra os vendedores irregulares.
Pode-se dizer que estes números revelam a realidade atual. São praticamente 13 milhões de desempregados em busca de recursos, manter a estrutura familiar e, principalmente, para se preservar de pé.
Aliás, boa parte destes brasileiros é composta por pessoas de boa fé. Não se tornam "foras do lei" (já que fazer comércio dentro do trem é proibido, conforme Decreto Federal 1832, de 4 de março de 1996) simplesmente por acharem bacana ser ambulante. E, por outro lado, a estatal está fazendo a parte dela: fiscalizar e inibir a prática ilegal.
É preciso que haja uma mudança radical em nossa política econômica. Estancar, de uma vez por todas, os gastos desnecessários, criar estímulos para o fomento da produção, recuperar a força industrial e gerar mão de obra especializada. Assim sendo, os postos de trabalho ressurgirão e muita gente, pode ter certeza, vai abandonar o comércio ilegal. E, com este cenário, pode até ser que as apreensões na CPTM encolham.