O recente massacre em presídio de Altamira, no Pará, da bem as dimensões de nossas casas de custódias.Depósitos de detentos, como de há muito anunciado, não merecem, a não ser quando se instala o caos, a mínima atenção das autoridades.
Em seus interiores, onde prevalece a lei do mais forte - ou mais sanguinário -, nascem células do crime organizado, que, ganhando a rua, atemorizaram à sociedade.Verdadeiros cursos de pós-graduação nos diferentes tipos de crime faz com que aquele que adentre o sistema, não raras vezes, alcançando a liberdade, venha impregnado de traços ainda mais marcantes que os da época em que foi admitido.
Perante o mundo, passamos por bárbaros! Afinal, decapitar-se o oponente, e depois jogar-se futebol com suas cabeças, isso nem mesmo o trágico Estado Islâmico ousou fazer.
Mas, para que não se percam os dividendos políticos, neste país em que, parece, tudo gira em torno do jogo eleitoral, logo se acenam com providências. De imediato, jovens extremamente inexperientes são chamados para preencher quadros defasados de guardas, dispondo-se o governo local a convocar outro milhar de concursados que aguardavam! De outro lado, mais três ou quatro penitenciárias deverão ser construídas com a necessária urgência! Balelas hipócritas!
Ante os velhos prisioneiros "cobras criadas" na arte da sobrevivência no cárcere, seres à parte que vivem cumprindo ameaças, certamente se sentirão intimidados, cairão no ramerrão comum aos seus colegas que, também inocentes sonhadores, um dia, iniciaram suas missões.
O número de cadeias, por si só, não é prenúncio de dias melhores, mormente em nação em que o encarceramento se tornou regra! Em pontos vitais à política prisional, nesses não se ousa mexer. Afinal, o condenado é ser alheio, não merece as atenções - mesmo que legais - do Estado.
Novas Altamiras nos trarão vergonha de pertencermos à raça humana. E pensar que a barbárie aconteceu em "Centro de Recuperação"! Imaginem-se os irrecuperáveis!