No primeiro empurrão; na primeira rispidez. Esta é a hora da mulher colocar um ponto final e extinguir um provável relacionamento doentio, mesmo que seja recém começado, com a pessoa que acaba de dar claros sinais de um futuro trágico. Talvez, decisões assim poderiam ter evitado o engrossamento das estatísticas sobre violência doméstica. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que o número de mulheres mortas dentro de casa cresceu 17% em cinco anos. Por outro lado, os casos de assassinatos de mulheres nas ruas registraram queda de 3%. Neste caso, o perigo está mesmo dentro do lar.
Na semana passada, um crime desta natureza foi registrado em Suzano. A polícia, de forma rápida, deu uma resposta à sociedade horas depois de ter localizado o corpo da vítima, uma mulher de 30 anos. Ela foi encontrada enrolada em um lençol, já sem vida. O principal suspeito de ter cometido o crime, o marido, de 37 anos, foi preso em flagrante.
Segundo testemunhas, não teria sido a primeira vez que a vítima fora agredida. Também foi relatado à polícia que o criminoso, num ato de pura frieza, ainda teria tentado deixar o imóvel onde o crime aconteceu levando o corpo da esposa. É bem provável, segundo as primeiras investigações, que o objetivo seria o de ocultar o cadáver.
Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio - ou seja, que envolvam "violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher". Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos de separação. No caso de Suzano, no entanto, testemunhas relataram à polícia que o suspeito agredia a esposa com grande frequência, porém, sem um motivo aparente.
Mais um "relacionamento" finalizado com tragédia e que, ao que tudo indica, deve ter dados claros sinais de um futuro trágico: um empurrão, um beliscão, uma cotovelada, um tapa no rosto, um olho roxo, dois olhos roxos... Denuncie. Fuja enquanto há tempo.