Mais uma vez, o tráfico de drogas rompeu os portões de uma instituição de ensino. Na última terça-feira, um jovem foi preso pela Polícia Militar, no Jardim Alterópolis, periferia de Suzano, com porções de crack, maconha e cocaína. De acordo com informação da polícia, que estava monitorando os passos do suspeito, ele comercializava o entorpecente dentro da Escola Estadual Yolanda Bassi, mais precisamente na quadra, espaço destinado à prática esportiva. E esta não foi a primeira vez que a escola é usada por traficantes. Há dois meses, um outro criminoso foi preso no mesmo lugar fazendo a mesma coisa.
Aliás, desde o atentado na Escola Estadual Professor Raul Brasil, há quatro meses, muito se falou sobre segurança nas escolas. A tragédia que deixou dez mortos, entre eles os dois atiradores, desencadeou uma série de promessas por parte do Estado no que diz respeito a procedimentos de proteção dos alunos. Chegou a ser falado, na época, que haveria uma revisão do método de segurança nas mais de cinco mil escolas de São Paulo.
Recentemente, o governo do Estado anunciou o programa Escola mais Segura. A iniciativa tem como objetivo reforçar a segurança em unidades de ensino estaduais por meio da Polícia Militar, empregando policiais de folga e adquirindo novas viaturas para o programa Ronda Escolar. Na teoria é uma ação que tem tudo para dar certo, aliás, a presença policial no entorno das instituições de ensino transmite uma sensação de segurança aos estudantes, funcionários e, é claro, espanta a criminalidade de um local onde ela jamais deveria estar: na entrada e saída de alunos.
Talvez, se este sistema já estivesse vigente, implantado logo após a tragédia na Raul Brasil, e a escola Yolanda Bassi escolhida para receber o reforço, o jovem detido anteontem comercializando três tipos diferente de drogas, não teria conseguido colocar em prática, de forma tão ousada, a sua atividade ilícita no meio da quadra esportiva de uma instituição de ensino estadual.