A partir da semana que vem, mais precisamente na quarta-feira, a fila de espera com cerca de 1,5 mil pessoas - que aguardam atendimento psicológico em Suzano - poderá começar a andar; dar os primeiros passos. São suzanenses à espera de acolhimento desde o dia 13 de março. Cidadãos que tiveram o emocional irrefutavelmente estremecido após dois atiradores invadirem a Escola Estadual Professor Raul Brasil e promover a maior tragédia já registrada na história de Suzano: dez pessoas morreram, entre elas os dois criminosos, 11 ficaram feridas e um batalhão de pessoas (alunos, pais e funcionários da escola) ainda estão traumatizadas com ferimentos profundos na alma. São elas que poderão, finalmente, ter a dor amenizada com a ajuda dos 34 psicólogos que acabaram de desembarcar em Suzano para fazer esta fila, enfim, andar. E, sendo assim, iniciar o imprescindível atendimento, há quase quatro meses do atentado.
Os profissionais da saúde foram apresentados na última segunda-feira. O grupo foi contratado por meio da Fundação Faculdade de Medicina (FFM). Além disso, o processo seletivo encabeçado pela entidade continua e, logo em breve, mais sete psicólogos chegarão à Suzano. Na ocasião, o secretário de Saúde da cidade, Luis Claudio Guillaumon, reforçou que o objetivo da vinda dos psicólogos é fazer a prevenção e atender a demanda. Daqueles que foram atingidos diretamente pelo ataque realizado na Raul Brasil e para as vítimas impactadas de forma indireta.
Com isso, espera-se que o trauma que atingiu a vida dessas pessoas comece a ser depurado. Houve relatos de estudantes que não conseguiam mais sair de casa, começaram a apresentar dificuldades para dormir e quadros depressivos. Boa parte se recolheu em seu mundo.
Segundo o site Psicologia Viva, o conceito de trauma vem de uma palavra grega, que significa "ferida". Portanto, o saldo da barbárie não contabiliza só os 11 feridos. Há muito aluno com a ferida aberta, sangrando, aguardando tratamento. Socorristas (psicólogos), eles estão à espera de vocês!