O livro do sociólogo italiano Domenico de Masi, "Uma Simples Revolução", expõe o contraditório tema de que trabalhar menos produz mais e distribui melhor, para cada habitante, a riqueza do mundo. Na sociedade pós-industrial em que vivemos, o trabalho é menos necessário para se produzir riqueza, ele é mais intelectual do que braçal, e isso faz gerar tempo livre.
Segundo ele, o desemprego, que veio para ficar, é uma construção social e estrutural, não uma fatalidade, e deve ser encarado de outra forma: o trabalho deve ser redistribuído, como deve ser a riqueza. Se assim fosse, prossegue ele, pela redução da carga horária, sem perda salarial, todos os desempregados estariam ocupados imediatamente.
A simples revolução viria com o trabalho à distância, em casa, descongestionando o transito nas grandes cidades, a maior presença de mulheres no mercado e o incentivo para investir em todas as tecnologias possíveis para libertar o homem do trabalho escravizado ao tempo, que quando livre é criativo. O trabalho dignifica, mas sem ser criativo não produz riqueza.
O ócio criativo é produtivo. Tempo livre é a pausa que refresca, renova a energia e faz o trabalhador amar, em vez de odiar, o trabalho. Hoje, o algoz que produz ansiedade no trabalhador é a exigência de cumprir a meta estabelecida numa linha reta, que é a menor distância entre dois pontos de interesse, nivelando a linha curva do prazer, roubando o tempo livre do bem estar em família, De Masi explica que o ócio criativo permite fazer três coisas ao mesmo tempo: trabalho, produzindo riquezas; estudo, produzindo conhecimentos; divertimento, produzindo bem estar.
Um trecho da letra de uma canção do passado: "Quem ama guarda o relógio e consulta o coração", parodiando, podemos dizer que quem pensa guarda o relógio e consulta a razão - é o ócio criativo. O homem programa o sistema e não deve ser robotizado. Jesus nos ensina que só há liberdade quando conhecemos a verdade, e Ele é a verdade que nos dá a felicidade.