Em 1988, ano de promulgação da Nossa Constituição Cidadã, estreava na televisão a novela Vale Tudo. O país estava mergulhado em uma crise econômica e apresentava elevado nível de desemprego, muita corrupção e uma profunda desigualdade social.
Já se passaram três décadas e a nossa realidade não é muito distinta daquela que foi inspiração da referida novela. O país está convivendo com as dificuldades geradas por mais uma crise econômica e continuamos em um ambiente de muita corrupção patrocinado por grupos econômicos que usam o espaço da política para fazer valer seus interesses.
Apesar de termos conhecido importantes avanços no que se refere ao combate à pobreza no início da década passada, a insistente ausência de crescimento econômico nos últimos anos, mais o intenso desemprego já comprometeram esses avanços. .
Ainda somos um país caracterizado pelo vale tudo. E infelizmente, isso é facilmente observável no âmbito da política, mas também nos negócios privados. Não é raro ver no noticiário reportagens sobre empresas que lançam mão de inúmeros artifícios ilícitos para ampliarem seus lucros. Inúmeras grandes redes de lojas espalhadas pelo país afora já foram denunciadas por se beneficiarem, direta ou indiretamente, da exploração do trabalho infantil.
Infelizmente, não são apenas determinados servidores que fazem uso da coisa pública para a satisfação de seus interesses. Setores do mundo privado também fazem uso da coisa pública para satisfazer seus interesses.
Está em curso uma série de operações para combater a corrupção. São operações que já duram anos. Algumas produzem resultados, outras não. Sem contar que alguns resultados obtidos nessas operações passam por frequentes questionamentos de determinados setores sociais.
Que todo esse processo de combate a corrupção, computados seus erros e acertos, deixem como legado uma nova cultura no trato da coisa pública.