Investir em educação é tema para lá de polêmico no Brasil. Se existe uma área que desperta as mais divergentes opiniões a respeito da destinação de verbas governamentais, é no processo de aprendizagem que residem as posições mais antagônicas. O ponto nevrálgico da discussão parte do princípio da definição semântica das palavras despesa e investimento, notadamente aplicadas ao setor educacional. Até um tempo atrás, coisa de 20 anos, as escolas particulares eram classificadas tributariamente como instituições sem fins lucrativos, o que representava uma grande mentira, pois muitos empreendedores do segmento fizeram verdadeiras fortunas administrando empresas ligadas ao ensino.
Na quarta-feira, durante celebração dos 200 dias do governo de Jair Bolsonaro (PSL), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou um plano para o corte de mais 25 mil postos comissionados. No início do mandato, foram outros 21 mil cargos. No pacote, a área da Educação foi a mais afetada, com a redução de aproximadamente 14 mil vagas e cortes profundos com extinção de cargos de direção, gratificação para professores e de verbas para as universidades públicas federais, numa demonstração primária de confundir despesa com investimento. A justificativa bolsonariana paira na desculpa comum de atribuir aos governos anteriores o inchaço da máquina administrativa.
Em termos regionais, a situação beira o aceitável. Mogi das Cruzes, por exemplo, abriu nesta semana o Cadastro Municipal Unificado (CMU) para interessados em concorrer às vagas disponíveis nas creches administradas pela prefeitura. Ao mesmo tempo, anunciou a conclusão de mais quatro unidades até o final do ano, ampliando o número de oportunidades em mais 722 cadeiras. Em balanço divulgado no mês passado, a secretaria afirmou atender 47.279 alunos em 203 unidades municipais, dos quais 23.527 são crianças que estudam em período integral, o que dá praticamente 50% do público. Na contramão da tendência federal, o município parece compreender bem o conceito de investimento a longo prazo.