O exercício do jornalismo no Brasil ainda é uma prática perigosa. A investigação e a apuração de informações, notadamente, coloca muitas vezes, frente a frente, os interesses pessoais dos envolvidos na notícia. No meio da linha de fogo, o profissional da Imprensa precisa ter habilidade e isenção para conviver com os dois lados, o que nem sempre é possível à medida que as forças opostas são discrepantes e utilizam a força física para impor a sua opinião. O que se confunde e deixa de ter importância para os agressores é que o jornalista está simplesmente cumprindo o seu trabalho.
Pesquisa da agência internacional Press Emblem Campaign (PEC), sediada na Suíça, revela que quatro jornalistas brasileiros foram mortos no ano passado no exercício do trabalho e a motivação dos crimes está relacionada a questões políticas. No mundo inteiro, segundo o levantamento, 113 profissionais foram assassinados em 2018, o que representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior. É lamentável que este tipo de violência ainda persista nos dias atuais.
Na terça-feira passada, feriado comemorativo da Revolução Constitucionalista de 1932, o repórter-fotográfico Edson Martins, do jornal O Diário, foi agredido quando se dirigia ao trabalho. Ele passava pela praça João Antonio Batalha, no Shangai, em Mogi das Cruzes, e foi identificado por um grupo de moradores em condição de rua que passou a hostilizá-lo e agredi-lo verbalmente. Depois, ainda foi vítima de uma cusparada de uma mulher e alvo de um cone arremessado em sua direção. Perseguido pelos agressores munidos de porretes, Martins teve de fugir para proteger a própria integridade. O que surpreende é o grau de violência e impunidade dos agressores, pois o jornalista sequer estava trabalhando. Os moradores da região relatam vários outros casos de agressão, mas a insegurança continua.
O fato pode parecer isolado, porém precisa ser encarado seriamente pelas autoridades. Mesmo em uma cidade como Mogi, aparentemente pacata, não é possível aceitar que a Imprensa não possa atuar livremente e, quando cerceada, não encontre respaldo dos órgãos competentes.