Existe uma arma que mata e mutila. Quase sempre está camuflada nas mãos de crianças e adolescentes. E é provável que boa parte destes juvenis nem imagine o poderio que carregam. Esta arma fica à mostra nas férias escolares e, em todos anos, infelizmente, ceifa a vida e lesiona inocentes. O cerol ou linha chilena (linha revestida com vidro moído) ainda é o vilão de uma das brincadeiras mais antigas da humanidade, criada pelos chineses há 1,2 mil anos antes de Cristo: a arte de empinar pipas ou papagaios.
A brincadeira milenar nesta época do ano está presente nas dez cidades do Alto Tietê, principalmente nas periferias. Em Suzano, para evitar acidentes, a Guarda Civil Municipal (GCM) fez recentemente um trabalho de conscientização e fiscalização do uso e venda de cerol e linha chilena, por meio da campanha "Pipa Legal". Os agentes chegaram a distribuir material didático para orientar as crianças sobre os riscos de se usar linha revestida com vidro. Na última inspeção, realizada no comércio suzanense, os guardas apreenderam mais de 20 carretéis de linha chilena.
O cerol é uma arma. Para se ter uma ideia, segundo dados da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), no Brasil são mais de 100 acidentes com linhas cortantes por ano, sendo que 50% causam ferimentos graves, e 25% fatais. Um corte em uma veia jugular (que passa pelo pescoço), por exemplo, pode matar uma pessoa em poucos minutos.
Não se trata de uma pregação "antipipa", mas é extremamente necessário que os responsáveis por essas crianças que continuam fazendo uso deste material maléfico sejam punidos. Além disso, ainda existem os riscos de choques na rede elétrica. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), as pipas foram a quinta maior causa de mortes relacionadas no país entre 2009 e 2017.
Soltar pipas é saudável. É atividade ao ar livre. Une amigos. Tem de ser praticada em local apropriado e sem vidro e cola afixado na linha. É preciso ter responsabilidade social; cortando o cerol e aparando a alegria de viver.