O suicídio é um tema muito delicado quando tratado pela Impressa. Existe uma norma entre as publicações, principalmente na editoria de Polícia, onde casos em que as pessoas tiram a própria vida não devem ser divulgados. É claro que há exceções como, por exemplo, quando uma pessoa famosa comete a ação ou o ato de atentar contra a própria vida ocorre em local público, aos olhos de muitas pessoas, como em uma avenida movimentada.
Em geral, anônimos que acabam por cometer suicídio dentro de casa ou em locais de baixa movimentação não têm o caso notificado pela Imprensa. O objetivo por trás dessa omissão é o de justamente não incentivar, mesmo que indiretamente, outras pessoas a fazer o mesmo.
Espaços como o Centro de Valorização da Vida (CVV) vêm, há algum tempo, realizando um trabalho para remover das pessoas esse pensamento. A ideia do equipamento é mudar a percepção, buscando lembrar e trabalhar junto a esse pessoal os motivos que há para continuar vivendo, além de ter alguém com quem conversar.
O projeto, lançado ontem em Suzano, e que pode se espalhar para outros municípios da região, parece buscar isso. Batizado de campanha Acolha a Vida, a iniciativa, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, terá palestras sobre o tema e capacitação na prevenção do suicídio. Até a mídia, que como já foi dito, trata o assunto com delicadeza, pôde participar da palestra "A Imprensa como fator de proteção ao suicídio".
Os tempos são outros. A depressão, uma das doenças que pode levar uma pessoa a dar cabo da própria vida, às vezes é tratada com desdém por não apresentar sintomas físicos, mas deve ser levada em conta por todos. Em uma época em que não há tempo para quase nada, tentar entender o que se passa com o outro pode fazer uma diferença enorme.
Projetos semelhantes como o Acolha a Vida devem ser multiplicados para vários locais. Muitas vezes, as pessoas não querem se abrir com familiares e amigos e preferem locais próprios para pedir ajuda.