O governo federal deverá cortar, pela terceira vez, a previsão oficial de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2019, o que reduz a projeção de arrecadação. O orçamento do atual exercício foi elaborado em meados de 2018, considerando um crescimento econômico da ordem de 2,5%. Depois disso, o governo reduziu a previsão de crescimento para 2,2% em março e para 1,6% em maio. Nessa próxima previsão oficial a estimativa de crescimento deve se aproximar do número que o mercado tem trabalhado, algo em torno de 0,87%, estimativa essa que pode ainda ser mais reduzida durante o ano.
Infelizmente essa não é uma boa notícia. O desemprego permanece extremamente elevado, a inflação permanece baixa mais pela inércia da economia do que pelos acertos do governo.
A repetição do discurso que para o país voltar a crescer é preciso que a reforma da Previdência seja aprovada já não é tão facilmente ingerido, principalmente pelo fato da possível aprovação depender de mudanças significativas do projeto enviado pelo governo.
Essa reforma é mais motivada pelo interesse do mercado do que pelos efeitos práticos que ela deve trazer, em curto prazo. A reforma Tributária seria muito mais impactante na economia num curto espaço de tempo, pois na medida em que se simplifica e ajusta o sistema tributário, o resultado pode ser a sobra de mais dinheiro na mão das pessoas.
Tratar qualquer ação isolada como a panaceia que vai trazer toda a cura, definitivamente não é um bom caminho. No ano passado, no momento da discussão sobre a reforma Trabalhista, o principal argumento usado era que, com a aprovação, as empresas contratariam mais, reduzindo o desemprego. É só olharmos os dados do desemprego para perceber que se tratava de um engodo.
Empresário não contrata trabalhador porque ele está barato. Empresário contrata trabalhador quando ele precisa produzir mais para atender a demanda. E ao empregar mais ele estimula o aumento dessa demanda, pois temos mais gente consumindo.