A Delegacia Central de Suzano, em conjunto com a Seccional de Mogi das Cruzes - responsável pela Polícia Civil do Alto Tietê - deu uma rápida devolutiva às famílias das vítimas fatais, dos feridos e a centenas de estudantes que ainda sobrevivem, dia após dia, com a carga do trauma, decorrente do triste episódio ocorrido em 13 de março, na Escola Estadual Raul Brasil. No final daquela manhã havia dez pessoas mortas de forma brutal em Suzano, entre elas os atiradores. A cidade estava de luto. E o país chocado com mais uma tragédia.
Na última terça-feira, em Mogi das Cruzes, os policiais civis prestaram contas à sociedade, por meio de uma entrevista coletiva, com detalhes da investigação que perdurou pouco mais de 80 dias, bem como apresentando o indiciamento de quatro suspeitos: Cristiano Cardias de Souza, Adeilton dos Santos, Geraldo Oliveira e Márcio Germano Masson. O quarteto, apontado como os vendedores da arma e das munições, responderá por dez homicídios e 11 tentativas. Todos já estão presos preventivamente e, futuramente, serão julgados pelo Tribunal do Júri.
Ainda na terça-feira - dia da coletiva - o delegado seccional de Mogi das Cruzes, Jair Barbosa Ortiz, que acompanhou de perto o desenrolar do inquérito, conversou sobre o caso com o repórter Felipe Antonelli, horas antes da apresentação oficial à Imprensa. Com vasta experiência policial, Ortiz, que já atuou como delegado titular do Serviço de Investigações Gerais (SIG), no qual em 2009 participou da libertação de uma família mantida refém na zona leste de São Paulo, atribui a motivação do crime à vida vazia dos dois atiradores. "É preciso que haja mais atenção de toda a sociedade, seja na área da educação ou segurança", opinou. A autoridade policial disse ainda que "este é um caso que nunca se encerrará".
Sábias palavras. O fim do inquérito e a condenação de culpados ainda serão incapazes de assossegar o coração de uma mãe ou de um pai que teve sua prole arrancada violentamente do seio familiar. Nada haverá de substituir um filho, no entanto, a Justiça é soberana. E as respostas vão chegar. Aliás, a primeira já chegou.