Ainda tentando esclarecer o que aconteceu noite de 9 de março de 2017, no bairro Ponte Grande, em Mogi das Cruzes, quando três suspeitos morreram e um outro ficou gravemente ferido em confronto com policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), após assaltarem um posto de combustíveis na cidade, foi realizada ontem a reconstituição dos fatos, com a presença e depoimento do sobrevivente, Vitor Saldanha, 19 e os policiais que participaram da ação.
A reconstituição começou por volta das 9 e terminou perto das 15 horas de ontem. O posto de combustíveis da Via Perimetral, que teria sido alvo dos suspeitos, e a rua Vereador Sidnei da Silva Rocha, onde estava o carro dos jovens, foram os locais onde a dinâmica do crime foi aplicada ontem.
O advogado Thiago Vidal, que defende os interesses da família de Matheus Wilson da Costa Reis, um dos jovens mortos naquela noite, esteve no local, acompanhou a reconstituição e afirmou que os policiais mantiveram a versão que prestaram na época. Além disso, ele afirmou que o depoimento do jovem sobrevivente na ação condiz com as provas que a defesa levantou. "O que é questionado neste inquérito é a ação policial, a forma da abordagem a ausência de tiros por parte dos jovens. Tudo está levando a crer que foi uma execução", afirmou o advogado Vidal.
A avó do jovem Rogério Santos de Oliveira Filho também suspeito do assalto, a auxiliar de enfermagem Sueli da Silva, disse que deseja que a justiça seja feita e que não deseja a ninguém a dor que está passando desde então. "A minha vida acabou", completou.
Informações passadas pela Polícia Civil à reportagem na época apontam que os agentes do Deic estavam participando de uma ação quando um assalto teria ocorrido em um posto de combustíveis, localizado na via Perimetral. Segundo o registro do caso, todos os envolvidos moravam em um condomínio de luxo em Mogi.
Após serem avisados por um frentista, os policiais começaram uma perseguição quando um dos suspeitos atirou contra os policiais, que revidou.
Os jovens mortos após o suposto assalto foram identificados como Victor Andrade Gomes Tito, de 19 anos, Matheus Wilson da Costa Reis, 19, e Rogério Santos de Oliveira Filho, 17. Testemunhas e vítimas informaram ter reconhecido Tito e Oliveira Filho em outras ações semelhantes.Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) alegou que o caso segue em investigação e que não pode dar mais detalhes.
*Texto supervisionado pelo editor