Domingo. 13h55. Um homem saca uma arma de fogo e atira contra uma família na calçada de uma rua na zona sul de São Paulo. Três morrem na hora: um jovem de 22 anos, sua mãe, de 50, e seu pai, 52. O atirador vira as costas e foge. Três vidas perversamente ceifadas. Números para engrossar a execrável estatística que, há tempos, mancha nosso verde-amarelo e revela um Brasil "doente". Um país onde se mata mais, por arma de fogo, do que na Síria, que vive uma guerra civil desde 2001. Tem alguma coisa muito errada por aqui.
Foi o que comprovou a mais recente edição do Atlas da Violência, divulgada na semana passada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados são alarmantes. Para se ter uma ideia, o estudo mostra que o Brasil teve 65.602 pessoas assassinadas em 2017; deste total, 47.510 foram mortas por armas de fogo. O número é 6,8% a mais do que o registrado no anterior: 44.475 execuções. E se levarmos em conta a comparação com 2007, por exemplo, a elevação deste tipo de crime é de 39,1%.
Daniel Cerqueira, coordenador da pesquisa, deu uma entrevista no dia do lançamento das estatísticas. Ele se mostrou preocupado. "O que está acontecendo no Brasil é algo realmente estonteante e fora dos padrões mundiais. Poucos países se aproximam do Brasil em termos de taxa de homicídio", detalhou.
Por outro lado, o perfil das vítimas, no assassinato em plena tarde de domingo, foge do que revelou a pesquisa. Aqueles que geralmente têm a vida ceifada são jovens de 15 a 29 anos e a maior parte possui baixa escolaridade. Além disso, as vítimas, ao que tudo indica, não faziam parte de facções criminosas, já que a elevação do número de assassinatos no Nordeste, por exemplo, está, segundo o Atlas, diretamente ligada a estes grupos criminosos.
A princípio, o autor da execução era um pai enciumado, que não aceitava o relacionamento da filha. E que naquele dia, domingo, em sua mente desiquilibrada, teria "resolvido" o problema assassinando o futuro genro e os pais dele.
É, realmente o Brasil está doente.