Em vez de ser destaque na página de Esportes o astro Neymar figura nas páginas policiais envolvido num emaranhado jurídico. O jogador, assim como Bolsonaro, parece não ter a menor ideia de sua dimensão e relevância pública. Em vez de conduzir sua defesa preservando sua imagem, e o que ela representa em termos financeiros, decidiu lavar a roupa suja na rede, como se fosse um adolescente metido em uma confusão de colégio.
É inacreditável que um astro esportivo, que movimenta milhões de dólares, não tenha uma assessoria capaz de impedir seu ímpeto de defesa e não tenha formado uma rede de proteção jurídica para a preservação de sua imagem como personalidade pública.
O episódio é motivo de piada: um encontro em Paris, custeado por Neymar e operacionalizado por seus assessores, cujo resultado todo o mundo conhece. Lavação de roupa suja com acusação de estupro, de extorsão, divulgação de imagens intimas, suposta falsa comunicação de crime, violação de sigilo profissional e por ai vai. Repertório farto para revistas de fofoca e uma única certeza: desgaste e prejuízo ao único envolvido que de fato tem muito a perder.
A jovem que o acusa foi condenada em ação de despejo por falta de pagamento de aluguel e, ao que tudo indica, não tem condições financeiras para suportar uma disputa judicial nem indenizar ninguém, caso tenha causado algum dano. Inquéritos na Polícia Judiciária e certamente ações cíveis serão ajuizadas em um episódio em que o único perdedor até agora só foi Neymar.
Perde credibilidade pública, põe em risco contratos de patrocínio e publicidade e sempre será lembrado por esse episódio lamentável. Embora disponha de recursos financeiros e não tenha com o que se preocupar quando o assunto é dinheiro, a situação que ele mesmo criou lhe será um fardo, senão pesado, bastante desconfortável de ser carregado, além de desnecessário e plenamente evitável. É bom contar com um bom staff jurídico e controlar suas aventuras pessoais ou então continuar pagando o preço com seu desgaste público.