Vale tudo para soltar Lula? Conversas privadas entre procuradores da República com o então juiz Sergio Moro, divulgadas sem a autorização dos interlocutores e obtidas sabe-se lá como, são o combustível para tentar liquidar a operação Lava Jato e principalmente, colocar Lula em liberdade.
Apontado por alguns como o escândalo do século, gerou a grita de todos aqueles que veem nessa divulgação a oportunidade de afastar Sergio Moro e os Procuradores da Lava Jato que rasgaram as entranhas da corrupção e fizeram exalar sua podridão. Ninguém duvida que há crime organizado, mas agora querem, com a divulgação de conversas privadas e não autorizadas, fornecer subsídios para defesa de Lula continuar exigindo sua soltura e legitimar o discurso de perseguição política.
As conversas foram obtidas de forma ilícita, pois não foram divulgadas por nenhum dos interlocutores e tem um objeto específico, soltar Lula. Só quem não atua na Justiça Criminal é capaz de imaginar que promotores e juízes não conversem sobre os casos em que atuam. A proximidade diária e compulsória em razão do ofício cria o ambiente para essa aproximação que não por isso os torna suspeitos ou imparciais. Não é esse relacionamento que leva a uma condenação criminal, que, aliás, pode ser revista por outras instâncias.
No caso de Lula a sentença de Moro foi revista pelo Tribunal Regional Federal e também pelo Superior Tribunal de Justiça, órgãos colegiados. O que causa espanto é pregar a legalidade usando como pedestal uma prova obtida de maneira ilícita e ainda pedir a punição das vítimas da divulgação ilícita. Não se pode punir ninguém com base em provas obtidas por meio ilícito e, ao que parece, é exatamente o que vemos no caso de Moro e Dallagnol.
Se houve desvio de conduta, violação ética ou funcional, nada poderá ser feito, pois a "prova" de tudo isso foi obtida, ao que tudo indica, de forma ilícita. Lula poderá usar as provas ilícitas em seu benefício, pois é condenado e ai caberá à Justiça lhes atribuir o devido valor.