Muitos sacerdotes sobem ao púlpito na soberba da sua intelectualidade mesmo estando cientes que sermão sem unção toca a razão, mas não toca o coração onde se dá a conversão.
O humilde de espírito se esconde atrás da cruz de Cristo e não busca a própria exaltação na frente dela. O temperamento manso do homem natural não significa ser "humilde de espírito", qualidade espiritual que Jesus pregou no Sermão do Monte. Lloyd Jones cita em seu livro Estudos no Sermão do Monte que uma vez foi pregar numa cidadezinha, e ao desembarcar do trem, na estação, havia uma pessoa que o estava esperando, este tomou quase à força a bagagem de suas mãos, e comentou enquanto caminhavam: "Sou diácono da igreja que o senhor irá pregar amanhã. Eu sou um mero João Ninguém, pessoa sem a mínima importância".
Ele desejava ser reconhecido como humilde de espírito, no entanto, sua atitude afetada demonstrou uma aparente humildade com muita soberba. O humilde de espírito é modelado pelo Espírito Santo que nele habita, e não vive procurando com hipocrisia as glórias do palco, mas sabe se conduzir com decência nos bastidores da vida. O humilde de espírito pode conviver com seu próprio temperamento. Pedro é exemplo, mesmo sendo de temperamento impulsivo foi chamado para ser discípulo de Jesus. A transformação ocorre no âmbito do espírito e não é pelo destacado sacrifício pessoal, como o de Madre Teresa de Calcutá, na Índia, onde por mais de 40 anos dedicou-se aos pobres e doentes.
A humildade reconhecida dos grandes sábios e notáveis pensadores quando afirmam: "Quanto mais eu sei é que sei que nada sei", porém, isto não é ser "humilde de espírito". Em um dia de longas homenagens e muitos elogios ao escritor Richard Foster, este cutucou sua esposa ao lado e disse: "Vamos nos retirar senão eu acabo acreditando". O homem humilde de espírito não gosta de ser "glorificado".