A reformulação proposta pelo governo do Estado de São Paulo para as Diretorias Regionais de Ensino, entre as quais se incluem as unidades sediadas em Mogi das Cruzes e Suzano - que praticamente cobrem todo o Alto Tietê -, dá um tom, ao menos animador, de avanço no processo de escolha dos dirigentes educacionais. Ao que parece, a decisão do governador João Doria (PSDB) e de seu imediato, o secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, de exonerar 26 profissionais entre 91 diretorias no Estado, a partir da análise de desempenho dos respectivos, está relacionada a questões de competência e não políticas. Outros oito saíram em razão de aposentadoria.
O processo seletivo aberto pelo Estado, intitulado de programa Líderes Públicos, para a ocupação das vagas disponibilizadas, promete ser de teor qualificatório ao avaliar profissionais com curso superior ou pós-graduação na área de Educação e que sejam titulares do quadro de magistério estadual. Para a escolha será exigido o mínimo de dez anos de experiência no magistério ou oito, sendo dois na função de suporte pedagógico educacional ou direção de órgãos técnicos. No papel, tudo parece claro e transparente. Porém, ao encerramento da fase classificatória, será formada uma lista com os mais bem qualificados, cujos escolhidos terão o aval final do governo. Isso pressupõe, na etapa derradeira, uma espécie de filtro que pode esbarrar em questões pessoais e políticas.
Com essa demonstração de dinâmica contemporânea para a avaliação de profissionais, o que pode ser visto como positiva, talvez seja o momento adequado para se definir o verdadeiro papel das diretorias de ensino. Historicamente, sempre foram órgãos com limitada autonomia administrativa, que mais serviram para abrigar simpatizantes partidários e desempenharam funções de veículos de mobilização ideológica. Para se avançar em uma área complexa como a Educação, é preciso tempo, insistência e muitos ajustes.
A geração de estudantes que hoje habita os bancos escolares merece, no mínimo, uma rotina planejada. Caso contrário, estaremos sempre de volta ao ponto inicial, educando em círculos.