Houve uma época da história da humanidade em que os moradores das grandes cidades, principalmente na Europa, jogavam os dejetos pela janela. Os mais educados tinham a consciência de avisar aos que passavam pela rua para tomar cuidado, caso contrário seriam atingidos. O primeiro resultado disso era estético: ruas tomadas por dejetos e um mau cheiro que beirava o insuportável. O segundo ponto, este ainda pior, era a quantidade de doenças que se espalhavam em razão da falta de saneamento básico. Entre as enfermidades que mais afligiam a população estão a cólera, leptospirose, e hepatite A. Não à toa a expectativa de vida no Velho Continente não ultrapassava os 40 anos. É preciso lembrar que boa parte disso ocorreu entre os anos da Idade Moderna, de 1453 a 1789, o que não impede que em períodos anteriores ou posteriores estava tudo perfeito. Mas foi nessa época o ápice dessa situação.
Após a expansão do saneamento básico o cenário começou a mudar e a expetativa de vida na Europa, em dias atuais, já chega aos 83 anos, em alguns países, como a Espanha. No Brasil, essa média esbarra nos 76 anos, mas o que ainda falta por aqui e que já existe em grande quantidade e qualidade do outro lado do Atlântico é, justamente, o saneamento básico.
Reportagem publicada ontem pelo Grupo Mogi News revelou que o Alto Tietê está no caminho certo para dar a correta destinação aos dejetos, além de promover uma rede de esgoto que possa dar conta de fazer todo esse caminho para os resíduos chegarem até o destino. Entretanto ainda falta muito o que fazer.
Ainda existem ruas na região sem a coleta de esgoto, espaços a céu aberto que são verdadeiros parque de diversões para bactérias e outros tipos de organismos. Isso sem contar canos de descarga que vão parar diretamente em rios e córregos. Estamos, pelo menos, há 560 anos daquela Europa e não pode ser aceitável que ainda existam pessoas no Alto Tietê, e em todo o Brasil, que possam sofrer com doenças que se proliferam por falta de saneamento. A melhoria do sistema da região, de fato, está no caminho certo, resta agora, pisar no acelerador.