Desde o século passado, sempre existiu uma relação estreita entre a classe estudantil e os movimentos operários no mundo inteiro. Quando os interesses dos dois grupos se tornam comuns, unidos por uma força oposta aos objetivos do governo instalado, a saída mais corriqueira é a convocação de greves gerais. Ontem, quando boa parte do país paralisou suas atividades para protestar, a motivação não foi diferente.
De um lado, os estudantes reivindicam o retorno das verbas para programas universitários cortadas pela União e melhorias no sistema educacional. De outro, várias categorias de trabalhadores lutam para impedir a reforma da Previdência, proposta pelo governo Bolsonaro, que pode limitar os benefícios dos empregados, além de pedir melhores condições de trabalho de uma forma geral.
Não há como desvincular - queiram ou não os envolvidos - os movimentos grevistas de uma procedência política. A conotação de protesto traz inerente uma demonstração de insatisfação com o sistema. Isso vai desde o filho que se revolta com o autoritarismo do pai até o operário que se sente assediado pelo patrão. Toda ação de insurreição possui um fundo de contrariedade, o que pressupõe o pensamento político.
Fruto da democracia, a coexistência de ideias antagônicas deve ser respeitada, desde que elas não ultrapassem o limite da liberdade das pessoas. Os protestos registrados ontem nas cidades do Alto Tietê, que engrossaram o movimento nacional, são dignos de fundamento e seguiram uma orientação moral e ética da defesa dos interesses e busca pacífica por apoio às causas.
O que se pode tirar de lição do atual movimento de trabalhadores e estudantes é que há uma crescente insatisfação com o sistema, que leva a procurar novas alternativas. Se ainda não tem força suficiente para provocar mudanças imediatas, precisa ser visto com seriedade, como instrumento de expressão popular. Foi assim em julho de 1917, quando registrou-se a primeira greve geral de origem operária no Brasil, que paralisou a capital paulista em protesto por melhores salários e o reconhecimento de seus direitos. E está sendo assim agora.