Um dia após novos vazamentos de conversas do ministro da Justiça, Sergio Moro, reveladas pelo The Intercept Brasil na noite de sexta-feira, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), saiu em defesa de seu aliado. "O Moro foi responsável, não por botar um ponto final, mas por buscar uma inflexão na questão da corrupção e mais importante: livrou o Brasil de mergulhar em uma situação semelhante à da Venezuela", afirmou o presidente na sexta-feira.
Questionado se confia no ministro, ele disse que sim, mas que confiar 100%, "só em pai e mãe". "Eu não sei das particularidades da vida do Moro. Eu não frequento a casa dele. Ele não frequenta a minha casa por questão até de local onde moram nossas famílias. Mas mesmo assim, meu pai dizia para mim: confie 100% só em mim e na mãe", disse.
Bolsonaro afirmou ainda que muita gente se surpreendeu com a demissão do general Santos Cruz de seu governo nesta semana. "Isso pode acontecer. Muitas vezes, você se surpreende com a separação de um casal: 'Mas viviam tão bem!'. Mas a gente nunca sabe qual a razão daquilo. E é bom não saber", afirmou.
Ex-presidente
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se manifestar depois que novas trocas de mensagens atribuídas ao ministro Moro e procuradores da Lava Jato foram reveladas. Em nota, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins dizem que as novas mensagens, "além de afastar qualquer dúvida de que o ex-juiz Moro jamais teve um olhar imparcial em relação a Lula, mostram o patrocínio estatal de uma perseguição pessoal e profissional, respectivamente, ao ex-presidente e aos advogados por ele constituídos".
"É estarrecedor constatar que o juiz da causa, após auxiliar os procuradores a construir uma acusação artificial contra Lula, os tenha orientado a desconstruir a atuação da defesa técnica do ex-presidente", afirmaram os advogados de Lula. (E.C.)