As relações econômicas entre os países avançaram em um ritmo extraordinário nas últimas décadas. A intensificação da relação de interdependência econômica entre as nações e entre as relações políticas e econômicas no cenário internacional não é mais apenas uma possibilidade. É uma realidade incontestável.
A globalização avançou, o planeta se tornou uma imensa via por onde circulam capitais e mercadorias, o que muito relativiza as fronteiras geográficas, diminuindo as distâncias entre países e blocos econômicos.
Podemos citar como um exemplo claro disso o quanto se desenvolveu a relação comercial entre Brasil e China. O saldo comercial (US$ 20,166 bilhões) e as exportações brasileiras para a China (US$ 47,488 bilhões) chegaram a bater recorde em 2017 impulsionados, principalmente, pela demanda aquecida do país asiático, cuja economia expandiu mais do que o esperado.
O acordo assinado entre Brasil e China em dezembro de 2017 permitiu a retomada de exportação de carne para o país asiático, o que é muito bom em virtude da amplitude daquele mercado. Em 2012, uma suspeita não confirmada do mal da vaca louca havia causado a suspensão dos negócios.
Mas nem tudo são flores nesses indicadores. Da mesma forma que o fluxo de mercadorias do Brasil para China é bem ascendente, o inverso também é verdadeiro. Quando se observa o tipo de mercadoria exportada para a China e a mercadoria importada pelo Brasil, percebemos um risco para a estrutura produtiva brasileira e para o futuro de nossa balança comercial. Os principais produtos brasileiros exportados para a China são commodities. São produtos de baixo valor agregado e que são constantemente alterados por fatores que fogem ao nosso controle. E o que vem de lá são produtos manufaturados com muito valor agregado.
A China é um mercado sustentado por uma população imensa (mais de 1,3 bilhões de pessoas), Essa relação pode, no médio e longo prazo, não produzir os efeitos desejados em nossa economia.