O primeiro quadrimestre deste ano no Alto Tietê fechou com mais crimes cometidos do que no mesmo período de 2018. Os indicadores mais comuns, como o furto e roubo de veículos, além dos demais casos de assaltos e furtos, incluindo todas as categorias para esses delitos, que vão desde roubo de pedestres até roubo a banco, mostraram aumento. O único indicador que apresentou queda foi o de homicídio, que fechou os primeiros quatro meses com uma diminuição de 7%.
Para combater a criminalidade, o governador João Doria (PSDB) revelou durante a semana que defende construir mais presídios, e, com isso, tentar diminuir a quantidade de delitos, uma vez que mais pessoas seriam presas. Em âmbito federal, o ministro Sérgio Moro enviou ao Congresso Nacional uma série de propostas de combate à criminalidade. Entre as ações está o endurecimento das penas.
Todas essas ações têm grandes chances de fracassar. Como dizia o patrono da Educação Brasileira, o agora demonizado Paulo Freire (1921-1997): "Se em 30 anos o país não construir escolas, vai faltar dinheiro para construir presídios". Isso foi dito em meados dos anos 1980. Ao que parece, o educador nunca foi tão cirúrgico, mas passado três décadas, os governantes ainda focam no crime, em vez de buscar a prevenção.
Entupir as cadeias com criminosos não é a melhor solução, em alguns casos acaba sendo até pior, como é o caso de deixar alguém que furtou um saco de feijão na mesma cela de um homicida. O termo é até batido, mas as cadeias no Brasil servem de faculdade para a graduação de criminosos.
Na realidade, é preciso atacar o que leva as pessoas à criminalidade. Existem casos patológicos, mas são minorias. Exemplos podem vir de outras nações, como a Holanda, que vem fechando penitenciárias por falta de criminosos. Lá existe uma gestão que trata os vícios nas drogas, consultoria em finanças, entre outros pontos, que são utilizados para remover o criminoso da cadeia.
Já os exemplos seguidos no Brasil são praticamente como chover no molhado.