Havia um ditado, muito propagado nos anos 1980 e 1990, que afirmava ser mais provável morrer com um avião caindo na cabeça de alguém em terra do que em razão da gripe. Bom, se um dia esse refrão foi verdade, deixou de ser há muito tempo, uma vez que muito mais gente sucumbe à gripe do que atingida por um avião.
Números do Ministério da Saúde apontam que entre janeiro e julho do ano passado, 836 pessoas morreram no Brasil em consequência da gripe. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2017, ocorreram 285 óbitos em razão da doença, ou seja, um aumento de 194% entre os anos.
Apesar de quase triplicar o número de mortos, ainda não está claro o que causou esse aumento, no entanto, a comunidade científica lança duas hipóteses: uma delas é a mutação do H1N1, o que deixaria o vírus mais agressivo. Tal exemplo pode ser visto nos Estados Unidos, porém, a cepa em questão é a H3N2. Essa situação foi observada entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018.
O outro ponto que deve ser levado em questão é quanto a demora em atingir a meta estipulada para imunização. No ano passado, foram necessários três meses para que todo o grupo de risco estivesse vacinado. Dois anos antes, durante a mesma campanha, o mesmo grupo precisou de três semanas para ficar imune.
A despeito de uma possível mutação, o que chama mais a atenção é a demora na imunização dos grupos de risco. Já tem algum tempo em que foi espalhada a tolice de que vacinas causam autismo ou que seria um plano do governo para exterminar os idosos e, com isso, livrar a Previdência Social de gastos com aposentadorias. Não precisa dizer que tudo isso não passa de lenda urbana.
Hoje, ocorre o Dia D de vacinação no Alto Tietê, postos de saúde fixos e volantes estarão disponíveis para vacinar os mais vulneráveis à doença. É imprescindível que isso seja feito para que a quantidade de vítimas não aumente por negligência ou ideias sem sentido. Apenas para comparar, em todo o ano passado, nenhuma pessoa morreu em terra por queda de avião.