A vida acadêmica me ensinou que o nível de segurança do estudante diante de uma banca de arguição oral tende a ser proporcional ao domínio que ele tem do tema. Ou seja, maus alunos tendem a se atrapalhar mais nas situações de estresse do que quem se dedica aos estudos com afinco.
Faço essa digressão para constatar que as reprovações do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante sua graduação em Economia na USP, foram mais que merecidas. Afinal, só mesmo um mau aluno se deixa trair pela ansiedade numa live ao lado do presidente da República, ao ponto de errar grotescamente uma operação de porcentagem simples, ilustrada com bombons.
Também aprendi (na vida, não apenas na universidade) que enquanto algumas pessoas aproveitam os fracassos para reavaliar estratégias e reprogramar metas, outras os digerem como fel que as torna amargas, rancorosas e vingativas. O corte de verbas nas universidades acusadas de "balbúrdia", posteriormente ampliado para todas as federais e Institutos Federais, foi percebido pela comunidade acadêmica como gesto de tirania do ministro, muito distante, portanto, da racionalidade administrativa que deve pautar os atos dos agentes públicos.
Talvez achando pouca a balbúrdia do corte de verbas, logo em seguida o MEC suspendeu sem aviso prévio a concessão de bolsas de mestrado e doutorado, comprometendo seriamente a pesquisa no país.
Weintraub é a síntese de um governo de amargurados que chegou ao poder determinado a deixar uma marca negativa que custará ao país décadas de reconstrução. Alguns danos, lamentavelmente, jamais serão revertidos: como trazer de volta as crianças que morrerão pela fome ou intoxicadas por agrotóxicos e as vítimas da falta de medicamentos?
Apesar de se apresentar cercado de chocolatinhos na live, os planos do ministro para a Educação não são nada simpáticos. São aterradores, para dizer o mínimo.