O presidente Jair Bolsonaro (PSL) começa a mostrar sinais de fraqueza. O ex-capitão do Exército, que já havia dito semanas atrás que não havia nascido para ser presidente, mas sim militar, divulgou um texto por uma rede social explicando que o Brasil é, na realidade, "ingovernável". O conteúdo foi divulgado apenas aos aliados mais próximos, que mostraram um misto de admiração e temor.
A informação conta que "fora dos conchavos", não é possível governar o país, e cita o caso da Medida Provisória (MP) que pode caducar se o Congresso Nacional não votar o texto, fazendo com que a Presidência da República volte a ter 29 ministérios como antigamente, em vez dos atuais 22. Outro ponto citado é que as "corporações governam" e o "poder do presidente é pouco".
Fato é que Bolsonaro não governa. Em cinco meses, o social liberal conseguiu somente editar normas de seu interesse, como a flexibilização da posse e do porte de armas. No mais, ele e seus subordinados vêm batendo cabeça a ponto de ser dispensável o trabalho da oposição.
Pelo o que é possível observar até agora, Bolsonaro queria ser presidente da República, essa era a meta, mas não governar, algo bem mais complicado de se fazer do que apenas se imbuir de um cargo titular, o mais importante da América do Sul.
Seu mandato ainda não chegou nem a 12% dos quatro anos que tem pela frente, e é claro que um texto como esse divulgado aos aliados mostra uma preocupação porque às vezes é preferível ter um governo ruim, mas que termine, do que ter um interrompido, seja por impeachment ou porque o mandatário não dá conta do serviço. Uma ruptura, na maioria das vezes, sempre leva ao descrédito e à desconfiança.
É bom que Bolsonaro pense antes de tomar qualquer decisão. Mais de 54 milhões de pessoas depositaram um voto nele, mas se ele resolver renunciar no futuro, será mais um a se tornar um cadáver político. No caso dele, os filhos vão de carona no ostracismo. De qualquer maneira, o vice-presidente Hamilton Mourão, que não tem nada com isso, já se imagina com a faixa presidencial no peito.