A mobilização de protesto realizada pelos taxistas em Mogi das Cruzes, na manhã de ontem, demonstrou que o triângulo de interesses formado pelos motoristas, os condutores de passageiros por aplicativo e a prefeitura continua distante de uma solução pacífica. Enquanto os dois últimos resolveram sentar à mesa para dialogar na tentativa de se aproximar de um meio termo na legislação que regulamenta o serviço, os taxistas decidiram colocar lenha na fogueira promovendo um ato que mostre os prejuízos enfrentados pela categoria e também para cobrar da prefeitura uma postura mais rigorosa na aplicação de multas aos motoristas por aplicativo e às empresas que os representam por não cumprirem a lei.
Parece que uma solução que atenda aos anseios dos três grupos será bem difícil, pois envolve necessidades distintas e interesses que se sobrepõem. Os taxistas formam uma categoria profissional das mais antigas e fechadas. Trabalharam sempre de forma autônoma, sem concorrência, e ditaram, por muito tempo, as regras do setor. Mas o tempo mudou e a modernidade trouxe com ela um novo formato de transportar pessoas. Surgiram, então, empresas do tipo Uber e 99, as mais conhecidas, oferecendo alternativas para o serviço, com maior comodidade, rapidez e, principalmente, com menor custo para os consumidores. Caíram na simpatia de um público mais jovem, habituado a acessar serviços por aplicativos de celular e tomaram conta do mercado.
No centro da disputa, as administrações municipais tiveram de buscar amparo legal para regulamentar o serviço, pois, sem arrecadação de impostos diretos na atividade, também estavam arcando com prejuízos. O problema é que a regulamentação não agrada aos concorrentes, que veem benefícios apenas para o outro lado. E o Executivo não consegue elaborar um documento viável para as duas partes e tampouco possui forças para fiscalizar o setor. Ao que tudo indica, a disputa vai chegar às instâncias mais competentes, onde há a previsão de verdadeiras batalhas jurídicas pela causa. Enquanto não houver uma resolução federal para a atividade, o imbróglio municipal vai continuar.