O Brasil permanece na condição de país dividido. É um processo que teve início com as manifestações de junho de 2013, depois foi aprofundado nas eleições de 2014 e mais ainda durante a batalha que selou o impeachment de Dilma.
Por diversas vezes recorri a esse espaço escrevendo aquilo que a minha percepção indicava. Vivemos um tempo de carência de lideranças legítimas que pudessem promover o entendimento entre as partes.
Durante todos esses anos, também fomos engolidos por uma severa crise econômica que trouxe consigo a crise política e a institucional.
Veio então a eleição de 2018. Mais um momento de exibição dessa divisão. Bolsonaro ganhou a disputa, mas longe de se mostrar como uma liderança. Foi uma eleição em que ele teve 55% dos votos válidos, mas a somatória dos votos do Haddad, abstenções, brancos e nulos superou os 70%.
O início de seu governo, por mais que tenha agradado seus seguidores, está muito longe de trazer a tranquilidade para que o país busque a retomada do tão esperado desenvolvimento econômico. O desemprego continua muito alto, a economia caminhando para a estagnação e a pauta moral permanece como prioridade.
A reforma da Previdência tem sido apresentada como se fosse panaceia, capaz de resolver todos os problemas. Não é. E mesmo caso fosse, do projeto que foi enviado pelo governo, por falta de maior articulação com o congresso, pontos importantes devem ser suprimidos ou alterados.
As crises constantes, quer seja entre setores do próprio governo, ou entre setores do governo com os partidos e as casas legislativas, também contribuem para esse ambiente desanimador.
O governo perde apoio com muita rapidez e acena com a possibilidade de buscar apoio entre seus seguidores para sustentar uma ação política que tem se mostrado equivocada. Ao que tudo indica uma parte de seu eleitorado já se desiludiu, apesar de tão pouco tempo de governo.
Quero estar enganado, mas tendo a achar que ainda não estamos no fundo do poço.