Virou notícia em todo o país os ataques ocorridos em caixas eletrônicos em Guararema, na madrugada de quinta-feira. Na ação, durante confronto com policiais militares, 11 suspeitos acabaram mortos, três deles presos e outros 11 conseguiram escapar. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Investigação Estadual de Crimes (Deic), na capital.
O caso chamou a atenção pela quantidade de suspeitos mortos, a ousadia dos criminosos e a eficiência dos PMs. Quando existe um confronto armado entre criminosos e policiais é preciso agir, uma vez que os bandidos, tendo oportunidade, não pensarão duas vezes antes de atirar. Até o momento, é isso que o trabalho de investigação está apontando.
A despeito da eficiência dos policiais, numa ação que foge completamente da rotina da Polícia Militar, quase uma operação de guerra, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), ambos defensores de armas, elogiaram o trabalho dos PMs, mas de maneira equivocada.
Um ponto é exaltar o trabalho promovido pelos policiais a fim de proteger as pessoas e evitar que os criminosos levassem o dinheiro das duas agências. Outro é utilizar as 11 mortes para levantar bandeira política e propagar, com fez Doria, que os "policiais mandaram bandidos para o cemitério".
Em campanha para o governo do Estado no ano passado, o tucano já havia dito que a PM, a partir de janeiro, atiraria para matar. Logo depois dessa afirmação do então candidato, o Grupo Mogi News conversou com oficiais do Alto Tietê e, na época, eles afirmaram que essa não é a postura da corporação. E não é mesmo. Em palestra realizada na quarta-feira, o comandante-geral, coronel Marcelo Vieira Salles, disse que os policiais não devem perder o foco, que é a proteção de vidas, e não eliminá-las.
O presidente e o governador não devem aplaudir a morte de pessoas, sejam elas de quem for. O dever de dois dos mais importantes chefes de Executivo do país é o de elaborar projetos no âmbito da Segurança Pública para ações, para que confrontos como o de quarta-feira sejam cada vez mais raras.