O ministro Luís Roberto Barroso parece que até agora não aprendeu os fundamentos do cargo que exerce. Originário da advocacia, ao ingressar no STF não se apercebeu que a função do juiz apresenta nuances que a diferencia da anterior exercida.
Alheio a isso, no entanto, em vez de se portar como magistrado, que tem na imparcialidade sua maior virtude, a todo instante usa da mídia para tentar, por meio da pressão popular, conquistar adeptos para posições pessoais, algumas vezes em explícita política partidária.
Verdade que, no Brasil atual, em contraponto ao que acontecia no passado, a atitude reprovável vem se proliferando, não sendo poucos os julgadores que têm se valido de idêntico expediente.
Às vésperas das eleições, a título de exemplo, já se denunciava nesta coluna a atitude, ao menos suspeita, de representante do Poder Judiciário paranaense que, influenciando diretamente o resultado do pleito, determinou a prisão de Beto Richa, no que foi seguido por outro, de Goiás, que decretou o confinamento de Marconi Perillo.
Se a sociedade já se estarrece com procedimentos que tais, provenientes de cortes inferiores, o que não dizer - e as redes sociais o tem demonstrado -, quando o triste deslize advém de ministros?
Em palestra proferida esta semana, ao cuidar da abordagem da prisão após condenação em segundo grau, matéria que deve tornar à pauta do Supremo no próximo dia 10, Barroso teve outro rompante.
Em claro tom de ameaça, como se "sentisse ameaçada sua posição", favorável à custódia, proclamou que poderá acontecer uma crise institucional caso o colegiado não corresponda "aos sentimentos da sociedade".
Mais uma vez lembro que a tênue democracia que temos vivido é pautada pelo império da lei, cabendo ao juiz, aplicá-la, independentemente de reclamos ou "caras feias".
Abandonar-se esse viés, e portar-se o magistrado como comentarista de futebol, que espera o aplauso do torcedor, denigre o Tribunal, afronta o espírito de justiça, e não se coaduna com o Estado de Direito.