Hoje, às 23h59, no horário de Brasília, se encerra o prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda. Repetindo o ritual de ajustar as contas com o Leão no último momento, até a manhã de ontem, segundo a Receita Federal, faltavam mais de 6 milhões de contribuintes para cumprir o compromisso, ou pouco menos de 20% de um total de 30,5 milhões de documentos aguardados pelo governo.
Considerando que, de acordo com os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a População Economicamente Ativa (PEA) nacional está em torno de 100 milhões de pessoas, significa que sete em cada dez brasileiros sequer possuem renda suficiente para entrar nas estatísticas da Receita. Aliada a esse quadro negativo, a taxa de desemprego subiu 0,6% no mês passado, o que deve refletir ainda mais nesse cenário preocupante da economia do país.
Elitizado, o Imposto de Renda, então, configura como uma leitura parcial da realidade nacional. Entregues com atraso ou não, as declarações de ajuste referem-se a uma parcela pequena da população. A maioria convive mesmo é com a agressividade do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), taxa que incide sobre qualquer produto adquirido no mercado. Da simples e obrigatória caixa de leite até uma geladeira, as pessoas dançam conforme o apetite do Estado. Nesse caso, não há atraso: comprou, pagou.
A dinâmica da taxação imposta sobre os bens de consumo e as fórmulas mirabolantes criadas para comer uma fatia da renda de cada um é que fogem do controle. Cada vez mais, a máquina administrativa depende do combustível injetado pela circulação do dinheiro para garantir a sua sobrevivência. Pela ordem, União, Estado e municípios abocanham os já minguados ganhos da população, que escolhe os seus representantes, mas não tem a menor noção de como os custos desse processo sairão do próprio bolso.
Numa economia crescente, o que vale não é a quantidade de pessoas que atrasa o seu acerto com o Leão, mas o volume de contribuintes que deveriam fazê-lo. A equação, infelizmente, está cada dia mais distante do cidadão.