Estamos vivendo a era do ceticismo generalizado. Nega-se tudo. A ditadura, a escravidão, as vacinas, a terra redonda. A ciência tem perdido a sua legitimidade, sendo que é por meio dela que se desenvolvem importantes setores, como a economia, saúde, educação, agricultura, tecnologia e inovação. O trabalho de pesquisadores colabora para descobertas que ajudam a diagnosticar doenças, identificar mazelas sociais, resolver problemas socioculturais, inovar esferas e construir uma nação capaz de detectar seus problemas, pensar em soluções e agir em prol de realizações.
Num momento em que lendas urbanas e teorias conspiratórias valem mais que estudos cientificamente comprovados, muitos pesquisadores, que se debruçam sobre suas pesquisas, realizadas em prol da resolução de um problema, pois este é o que instiga um estudo científico, podem ter suas experiências interrompidas devido à redução de investimentos no setor.Nos últimos dias, o governo congelou 41,9% da despesa autorizada para este ano para gastos não obrigatórios do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Dos cerca dos R$ 5.079 bilhões previstos para o órgão na Lei Orçamentária Anual (LOA) com gastos discricionários, foram bloqueados R$ 2.947
bilhões. Uma redução que contribui para o sucateamento da ciência brasileira, comprometendo pesquisas em andamento.
Esse corte prejudica não apenas quem se dedica aos estudos, mas a nação como um todo, afinal, pesquisadores contribuem para o avanço científico, tecnológico, educacional e cultural do país. E seu trabalho não é pautado apenas na teoria, mas, em especial, na prática. Afinal, resolução de problemas presume conhecer realidades e experimentar soluções. Pensamento prosperado em países desenvolvidos, como, por exemplo, na China, Alemanha, Estados Unidos, que, ao passarem por uma crise, ampliaram os investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação, por acreditar ser o campo que visa à prosperidade de uma nação.Diferentemente do Brasil, que tem sido movido por superstições, formando, assim, uma sociedade suscetível à veracidade do que se lê, ouve e assiste.