Os meninos do Brasil Paralelo, grupo de jovens do sul do país que tem se proposto a expor os desvios da versão da história contada e repetida às nossas crianças, adolescentes e jovens, por meio de profundas pesquisas com quem vivenciou as épocas e/ou com historiadores, filósofos, antropólogos e personagens ligados aos fatos, lançou recentemente, o documentário "1964: o Brasil entre armas e livros" e a reação de muitos foi a condenação, mesmo antes de assistir ao filme, sob o argumento de que aquilo se tratava de uma defesa do golpe militar a da ditadura.
O assunto ganhou as mesas de discussão e defesas apaixonadas, às vezes, exacerbadas têm ocorrido para um e para outro lado, mas o que eu gostaria de destacar é que esse documentário, muito bem embasado e compilado, busca o equilíbrio, removendo os exageros dos esquerdistas que focam na repressão, tortura e mortes provocadas pela ditadura militar, esquecendo-se de que seus guerrilheiros também foram atrozes, e dos direitistas mais radicais que focam no lado bom do militarismo, qual seja a segurança, a infraestrutura e crescimento experimentados durante o regime, mas deixando de lado, as atrocidades que o mesmo cometeu.
Na verdade, um lado queria a ditadura do proletariado como já tem sido admitido por vários revolucionários da época, como Gabeira e Eduardo Jorge, por exemplo, e o outro lado, a ditadura militar. O fato é que o povo manifestou claramente não desejar o comunismo de forma alguma. Portanto, nem lá, nem cá, a verdade está num ponto intermediário entre essas posições extremas.
É isso que o documentário vai revelar e, diferentemente, de uma defesa da ditadura, apontando, transparentemente, os erros cometidos e o gosto pelo poder que a tomada do mesmo implicou, ou seja, o que se pretendia que fosse um governo de transição, a princípio, amparado pela sociedade, acabou se tornando um longo período, a ponto de a população rejeitar o regime, felizmente, com a saída dos militares do poder, implicando um novo começo para a democracia brasileira.