Todo conhecimento leva à sabedoria? A ideia aqui é definir e estabelecer uma distinção entre ambos. Toda experiência de vida de uma pessoa, como um elevador, pode alçar o conhecimento adquirido à condição de sabedoria? Nem só o conhecimento, que se deve somar, à visão abrangente, à busca de um objetivo, à emancipação ou liberdade e imparcialidade em opiniões e pontos de vista, é elemento único para dar sustento à sabedoria. Toda sabedoria cresce submetida a uma visão abrangente e senso de proporção em toda experiência de vida.
Políticas educacionais distorcidas, elaboradas com a ideia de incutir conhecimento na realidade incutem só preconceitos entre as pessoas. Geridas por pessoas que se dizem sábias mas cegas aos assassinatos cruéis das consciências, para dar origem a grandes massas de manobra a serem usadas em seu benefício, os dirigentes, sem se importar em transformar o resto da população, em indigentes.
À medida que se vive e se aumenta o conhecimento, ganha-se em sentimento de humildade, quando não de imparcialidade. Com a idade, o horizonte vai na certa se elevar: pensamentos e sentimentos vão se tornar menos pessoais e mais distanciados da própria condição física. Foi na fase avançada da vida humana que Shakespeare, em poema famoso, descreveu o estágio em que o homem começa a pensar e agir como um juiz. Assim, torna-se gradualmente liberto de todos os motivos egoístas, para começar a raciocinar mais para a coletividade do que para si mesmo.
Obedecer as leis de trânsito, não pixar paredes, separar dois amigos brigando serão sempre atos de sabedoria. Com isso, toda vida privada pode ser preenchida por esses pequenos atos, até imperceptíveis, de sabedoria. Sem os efeitos do mal da especialização, em indivíduos singulares, a provar que a sabedoria não vem com o conhecimento. É a partir da visão abrangente e senso de proporção da realidade, que a sabedoria desabrocha. Com isso: nem todo conhecimento pode levar à sabedoria.