As divergências entre os poderes Executivo e Legislativo no Brasil têm crescido nos últimos dias. Não é de hoje que assuntos mais polêmicos afloram o debate entre as frentes, ora contribuindo para o amadurecimento das questões, ora conduzindo a cenas constrangedoras de entreveros verbais sem nenhum acréscimo aos temas. Na quarta-feira, em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, protagonizou uma dessas cenas durante a sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da câmara.
Vítima de uma armadilha montada pelo centrão, Guedes precisou endurecer o discurso para tentar persuadir os parlamentares sobre a boa intenção da reforma da Previdência proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), com um viés favorável aos militares de carreira. Não convenceu. Além disso, ouviu poucas e boas de uma ala mais agressiva dos adversários políticos.
No âmbito doméstico, o secretário de Transportes de Mogi das Cruzes, José Luiz Freire de Almeida, foi convidado pela Comissão Permanente de Transporte e Segurança Pública da câmara da cidade para esclarecer sobre um radar móvel colocado na avenida Francisco Rodrigues Filho, em Cezar de Souza. Segundo o vereador Diego de Amorim Martins (MDB), o Diegão, o equipamento fica escondido, sem informação, como determina a lei, e surpreende de forma negativa os motoristas mais distraídos. "O radar escondido é covarde", protestou Diegão. Almeida foi enfático na resposta: basta aos motoristas "respeitarem a velocidade da via".
Em Suzano, o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) passou por uma saia justa no Legislativo ao ver uma denúncia de crime de responsabilidade por não responder requerimentos e indicações dos parlamentares ser votada no plenário. A proposta do vereador Lisandro Frederico (PSD) acabou arquivada com 17 votos contrários, mas chamuscou levemente a imagem do prefeito.
Os três episódios ilustram, ao menos, que há diferenças de opiniões, o que é salutar. Entretanto, o exercício do debate deve ser pautado por questões mais amplas, que extrapolem os interesses partidários.