As atividades foram retomadas ontem na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, que estava fechada desde a quarta-feira da semana passada, depois de servir de palco para o ataque que resultou na morte de cinco estudantes e duas funcionárias, além dos dois responsáveis pelo atentado. Hoje será celebrada a homenagem pelo 7º dia do falecimento das vítimas, cerimônia que deve ficar marcada, mais uma vez, por um forte apelo emocional, como praticamente todas as ações desenvolvidas em relação ao trágico fato. Sem condições ainda de reiniciar as aulas de forma oficial, as autoridades decidiram por um retorno gradativo, mas buscaram, corretamente, se apoiar em grupos e profissionais especializados no acompanhamento de alunos, professores, funcionários e famílias.
O momento exige uma reflexão mais séria sobre os destinos da Educação no Brasil. Se o ambiente escolar deixou de ser o espaço propício para o convívio social equilibrado, com aprendizagem e relações pessoais, e passou a representar um campo de terror, medo e preocupação das pessoas, é porque algo está errado. Não é de hoje que o grau de violência aumentou. De ponta a ponta no país há registros de alunos que agrediram professores, docentes que humilharam estudantes, além das já conhecidas brigas entre colegas de sala, que muitas vezes ultrapassam a linha da agressão verbal e chegam ao estágio da violência física. Se a escola virou caso de polícia, a situação é delicada.
Ao assumir o governo no início do ano, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou algumas medidas polêmicas que considerava vitais para mudar este quadro, como a volta de colégios militares e o resgate de disciplinas de cunho disciplinar. O ministro Ricardo Vélez Rodríguez tem se empenhado em dar conta das orientações do chefe, mas ainda não ajustou a própria equipe, perdida em falas controversas e sem efeito prático. A realidade, porém, está mostrando que o problema é bem mais delicado do que se imagina. O processo de transformação no setor precisa ser iniciado o mais rápido possível. Infelizmente, o episódio de Suzano vai marcar, de forma triste, um novo recomeçar.