Quem ainda não ouviu a expressão "é melhor prevenir do que remediar" certamente não se programou para alguma eventual calamidade. Quem não toma medidas de prevenção, sejam simples reparos, planejamento na construção de um prédio ou estabelecimento, visando dar menor espaço para tragédias, precisa correr atrás dos reparos, pois os desastres ocorrem e deixam um grande legado de perdas humanas e materiais. Isso acontece tanto em nossa vida pessoal, dentro de nossas casas, quanto em nossa cidade.
Por atingirem grande número de pessoas, especialmente as menos favorecidas, a reação é de mobilização. Em temporada de chuva, vemos alagamentos, enchentes, árvores e postes sendo derrubados pelo vento.
E, como sempre, no final quem sofre é a população. É natural que, diante do horror provocado pelas tragédias, reapareçam as perguntas óbvias: por que não prevenir, em vez de remediar? Por que não temos modernos sistemas de mobilização e gestão de riscos para evitar tantas perdas? Mas, passado o impacto maior, voltamos à situação de naturalidade, sem as ações preventivas que possam gerenciar os riscos de um possível próximo acidente.
O planejamento urbano não consegue lidar com a dicotomia "prevenção versus prejuízo", de forma a introduzir parâmetros mais modernos na gestão urbana? Só nos mobilizamos quando ocorrem as catástrofes, mesmo sabendo que são anunciadas e fechamos os olhos para as soluções técnicas e somos levados a cometer os mesmos erros, afinal estamos em um país tropical onde os eventos climáticos são tradicionais.
Portanto, o fato é que as ações de prevenção e a avaliação realista de riscos devem fazer parte de nossa agenda. É o momento de entender e avaliar todos os fatores seja ambiental, urbanístico, jurídico-institucional, político e socioeconômico. Assim, será possível alcançarmos as necessárias políticas públicas de prevenção. Para não sermos levados diante do horror provocado pelas tragédias, a nos questionar: Por que não prevenir, em vez de remediar?