Não se pode negar que o Rio de Janeiro continua lindo. Suas belezas, salientadas pelos intelectuais que povoavam suas noites, então, calmas; seus encantos, experimentados por turistas os mais diversos, que, seduzidos pela propaganda deleitavam-se em suas paragens; as praias exuberantes, emolduradas pelas matas e montes, compondo pintura indelével tracejada pelo Criador; tudo permanece intocável.
A despeito dos administradores - estaduais e municipais - escolhidos para manterem sua imagem, mas que, burlando a confiança neles depositadas locupletaram-se fartamente e deram solene banana aos eleitores, a capital fluminense mantém-se, na medida do possível, como símbolo sedutor.
Quase que agora, a comprovar o assalto ao erário, o ex-governador Sérgio Cabral, com a maior desfaçatez, reconheceu, em juízo, sua culpa. Dizendo-se "viciado em dinheiro" - seja lá o que isso signifique -, confessou suas falhas, apontando outros tantos que incidiram em inescusável e nojenta trama com o dinheiro do povo.
Natural, assim, que, cansada de passar por idiota, grande massa dos votantes daquele Estado, optasse por modificação radical: para governá-los, escolheram candidato noviço, porém, imbuído de discurso radical talhado ao momento vivido pela sofrida população.
Magistrado por formação, Wilson Witzel, inseriu no rol de suas prioridades enquanto mandatário, o combate à violência e corrupção. Para tanto, inclusive, cercou-se de "especialistas" encarregados de elaborarem Plano de Governo sobre o assunto.
Entre os auxiliares, se destacava a figura de Flávio Pacca, policial laureado por Flávio Bolsonaro, quando cumpria funções de deputado estadual.
Esta semana, no entanto, no desenvolver da Operação Quarto Elemento, agentes repressores cariocas lograram prender o dito senhor, acusado, com outros agentes públicos, de ter incidido na prática de organização criminosa, corrupção, extorsão, além de outros delitos.
Mais um golpe na confiança de uma descrente sociedade.
Pena do Rio!