Issami Tiba, saudoso psiquiatra e autor de diversos livros, foi feliz na escolha do título de uma de suas festejadas obras, "Homem cobra, Mulher polvo", que traz os atributos polivalentes desse ser multifocado que é a mulher. Consegue cumprir diversas atividades ao mesmo tempo que, pelo contexto social, a elas são atribuídas. Por isso mulher polvo.
Oposto do homem que, segundo o autor, possui uma visão tubular, o que o impossibilita atingir o grau de eficiência da mulher frente às diversas atividades simultâneas. Por isso homem cobra, termo que, muito diferente do que alguns podem ter imaginado, o revela como a representação de apenas um dos tentáculos da mulher polvo.
Falamos de um ser que, por meio da delicadeza, demonstra força e determinação. Prova disso, a história nos mostra as diversas mulheres que, por seus feitos, influenciaram multidões, contribuindo com o aperfeiçoamento de ideias e influenciando na cultura social. Por isso devem ser valorizadas, respeitadas e tratadas com distinção como no dia de hoje, fruto de vários embates iniciados no século 19. Em que pese todas as conquistas obtidas, ainda é vítima do descaso e da violência. Um exemplo claro, tivemos há  alguns dias, onde, na região do Caparaó Capixaba (ES), uma jovem de 36 anos foi brutalmente agredida pelo seu namorado e, seminua, abandonada numa estrada. O motivo, segundo os familiares da vítima, foi o não atendimento à vontade dele. A conduta revela um olhar distorcido por parte do agressor, que, na relação conjugal, talvez a enxergasse não como uma parceira, mas como um objeto que, não mais atendendo a seus interesses, poderia ser destruído e jogado fora. Uma conduta intolerável nos dias atuais. 
Leis como a "Maria da Penha" e do "feminicídio" se constituem em grande avanço no combate à violência contra a mulher que, juntamente com a construção de uma nova visão sóciocultural, atingirão a plenitude do seu potencial com o efetivo engajamento dos diversos atores do poder público e da sociedade civil organizada.