O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse na manhã de ontem, durante cerimônia dos 211 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, que governará ao lado das "pessoas de bem", "daqueles que amam a Pátria". O presidente completou sua mensagem com a declaração de que só existe democracia e liberdade quando as Forças Armadas assim o quiserem.
Segundo Bolsonaro, a missão de governar o país "será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a Pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhantes à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade". O presidente finalizou o curto discurso dizendo que só existe "democracia e liberdade quando a Força Armada assim o quer".
O presidente seguiu às 14 horas do Rio para Brasília e não atendeu a Imprensa. A fala de Bolsonaro ocorreu na esteira do polêmico tuíte sobre o Carnaval divulgado na terça-feira. A postagem do presidente - que trazia um vídeo com imagens obscenas e escatológicas - levantou críticas até de aliados e teve repercussão internacional.
Mourão defende
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o presidente Bolsonaro foi "mal interpretado". Segundo Mourão, a frase não tem tom ameaçador, como foi visto por alguns, e, sim, faz referência ao caso de países como a Venezuela.
Ao chegar ao Planalto após o almoço, Mourão falou, bem-humorado, que já sabia o que os jornalistas queriam perguntar e tratou logo de tentar esclarecer a nova polêmica. "Eu já sei qual é o assunto e vou dizer muito claramente o que o presidente quis dizer. O presidente falou que onde as Forças Armadas não estão comprometidas com democracia e liberdade, esses valores morrem. É o que acontece na Venezuela. Lá, infelizmente as Forças Armadas rasgaram isso aí", disse Mourão a jornalistas.
Para o vice, foi "exatamente isso que o presidente quis dizer". Questionado se concorda com a afirmação de Bolsonaro, Mourão respondeu que, "se as Forças Armadas não são comprometidas com democracia e liberdade, elas não subsistem". "Está aí a Venezuela para mostrar", reforçou.
O vice-presidente também evitou comentar o vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro com cenas obscenas que associou aos blocos de Carnaval. Anteontem, o Planalto soltou uma nota para dizer que o presidente não quis criticar o Carnaval de forma genérica. "Sobre isso eu não vou comentar", afirmou o vice.