O líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, afirmou ontem que voltará ao seu país apesar das ameaças de que poderá ser preso no retorno. Ele afirmou que isso deverá ocorrer no fim de semana ou na segunda-feira. Hoje ele irá ao Paraguai e terá um encontro com o presidente Mario Abdo Benítez.
Autoproclamado presidente interino, Guaidó deixou a Venezuela pela fronteira com a Colômbia na última semana e ainda não se sabe como ele fará o retorno. Durante uma coletiva de Imprensa após ter se reunido com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Palácio do Planalto, Guaidó afirmou que continua recebendo ameaças.
Questionado sobre se não tem medo de voltar ao seu país e ser preso ou até mesmo sequestrado, como já aconteceu com outros líderes de oposição, Guaidó negou. "Apesar dos presos políticos, das perseguições, fazemos uma resistência pacífica", disse.
Guaidó defendeu o endurecimento das sanções econômicas como forma de reduzir a entrada de dinheiro no país que, segundo ele, está tomado pela corrupção. "As sanções não são só uma questão diplomática, são uma necessidade", disse. De acordo com ele, seu grupo político já está criando um fundo para recuperar ativos que foram alvo de corrupção.
Ele criticou o ditador venezuelano Nicolas Maduro pela perseguição que tem sido feita nos últimos anos a seus opositores e o culpou pela situação de miserabilidade de grande parte da população. Para ele, o país tem capacidade de se recuperar rapidamente após a queda do regime. "O regime de Maduro diz à imprensa internacional de que a situação é uma questão de guerra ou paz. Não é, é uma questão de democracia ou ditadura", disse. Ele também afirmou que as últimas eleições realizadas na Venezuela, em que Maduro saiu vencedor, não foram livres e democráticas.
O líder de oposição lamentou que a situação interna venezuelana tenha chegado ao ponto de levar à miséria grande parte da população. "Somos um país tão rico, como pode ter chegado à miséria", finalizou.